spcorumvin.jpg (6859 bytes) spcorumvin2.jpg (4316 bytes)


Detalhe da artesania típica de Santa CruzDepois do trem, Santa Cruz!
Assim que desembarcamos do famigerado mas não tão assustador Trem da Morte, deparamos com uma cidade cinza, fria e úmida. Só podia ser Santa Cruz de La Sierra, caminho obrigatório para quem quer chegar a La Paz, capital da Bolívia. Muita gente que faz essa viagem (principalmente mulheres sozinhas) prefere pegar um avião até aqui ao invés de fazer toda a viagem de ônibus. Claro que a escolha é sua, mas garantimos que é bem mais divertido atravessar pela estrada. Demora mais, mas e a emoção? Não foi pra isso que você veio?

Será preciso apresentar mais uma vez seu passaporte. Agora sim, você está mesmo na Bolívia. Saia agasalhado do trem (pode esfriar) e pegue um taxi para a estação rodoviária.

A rodoviária de Sta. Cruz é um verdadeiro show à parte: uma infinidade de cartazes e pequenas guaritas coloridas em um corredor estreito, cercadas por pessoas berrando e oferecendo a melhor oferta de viagem aos turistas. Respire fundo e faça sua escolha, levando em conta o destino (Cochabamba), o conforto do ônibus e o preço. Se estiver em grupo, vale a pena pechinchar. O preço unitário da passagem vai diminuir, com toda certeza. Se puder, pague um pouco mais por um ônibus no estilo "bus-cama". Mas não se engane: não há camas no ônibus, mas sim, como bem descreveu o Nando, um mero "encosto para batatas da perna". É melhor que nada.

Mais uma coisa: certifique-se da existência de um banheiro no ônibus. O boleteiro vai lhe dizer que tem, mas é quase certo que será mentira. Experiência própria!

Sorte no embarque
Resista à pressa e não pegue logo o primeiro ônibus para Cochabamba. Se puder, compre passagens para a noite. Assim, você tem tempo de rodar pela cidade, comer alguma coisa, trocar de roupa e ainda poderá dormir no ônibus. Viajar pela noite é o ideal, mesmo porque o percurso dura apenas 6 horas. Dura na teoria, porque você pode ter o mesmo azar que nós tivemos. Nossa viagem até Cochabamba durou 30 horas! Logo mais explicamos.

Não há muito a se fazer em Santa Cruz, a não ser por algumas pracinhas, igrejas e o centro comercial. Não estranhe se estiver tudo fechado. O comércio fecha para o almoço e a "siesta" dura duas horas e meia.

Descanse, relaxe e aproveite a praça de Sta. Cruz para dar um lustro no pisante!Para um local aconchegante para passar algumas horas, com boa comida, televisão e banheiro, recomendamos a fantástica Gelateria Dumbo. Para um relax desencanado, tente a Plaza 24 de Setiembro, cheia de bancos, área verde e bichos-preguiças pendurados nos galhos (não vimos nenhum, mas os locais disseram que a praça está cheia deles). E claro, os vendedores de artesanato. Se estiver economizando, cuidado! A lábia dos caras é boa e você poderá adquirir um facão decorativo "Tramontina - made in Brazil" por "míseros" 25 doletas. Há algumas catedrais nos arredores que valem uma espiada se você precisar matar tempo.

Na hora do embarque, não desgrude de sua mala e verifique se elas malas estão sendo embarcadas no mesmo ônibus que você. Estique as pernas e torça para a viagem ser curta e agradável. A nossa não foi nada disso. Existem dois caminhos para Cochabamba: um por uma estrada antiga, de terra, e outro, por uma estrada nova e asfaltada:

Fato 1: Nosso motorista resolveu seguir pela estrada velha porque a nova estava impedida por um deslizamento de terra.

Fato 2: Choveu muito naquela semana.

Fato 3: A estrada ficou impraticável e o congestionamento de ônibus, carroças, cavalos foi inevitável.

Fato 4: Foi a viagem mais longa de nossas vidas. Saímos de Sta. Cruz às 21 horas do dia 8 para chegar em Cochabamba às 3 da manhã do dia 10. Tá bom pra você? Mais detalhes desta "viagem" em nosso diário.

Muita coisa a fazer
Cochabamba é aprazível e bem receptiva. Para nós, foi uma das paradas mais agradáveis da viagem. A cidade é tão bacana que vale a pena ficar pelo menos dois dias antes de seguir para La Paz. A partir de lá, é pauleira pura. O ar é mais rarefeito e o clima fica mais frio ainda. Defina assim: Cochabamba é uma boa preparação para os momentos difíceis que estiverem por vir.

Se chegar de manhã à cidade, gaste um tempinho escolhendo um hotel legal para ficar. Depois, saia a pé para sentir o clima. Há bastante turistas, mas os tipos bolivianos tradicionais podem ser vistos à exaustão - principalmente as famosas cholitas. Existem praças bonitas, estátuas, igrejas em ruínas e muita gente nas ruas. Capriche nas fotos (e não faça como nós, que perdemos o filme que tiramos na cidade. É por isso que temos poucas fotos desta parte da viagem. A culpa é do Alberto!).

A suntuosa mansão de Simón PatiñoHá muito o que se fazer na cidade. Recomendamos o belíssimo Morro San Sebastian, que dá vista à toda região (e tem um sorvete de banana - plátano - sensacional), as feiras livres de comida e artesanato, a bela Plaza 14 de Setiembro e um dos principais pontos turísticos da cidade: a Mansão de Simon Patiño, magnata boliviano, rei do estanho e uma das inspirações para a criação do Tio Patinhas, da Disney (não acredita? Pergunte a um cochabambense!).

Vale a pena também visitar o jardim da mansão e o Museu de Arte Boliviana, que fica ali ao lado. Opte pelo passeio com guia, bem instrutivo e interessante. Aproveite para tirar fotos do lado de fora porque do lado de dentro não pode.

Opções para comer também são muitas. Desde o botequinho com prato feito até as duas filiais do delicioso Dumbo, toda comida da cidade é muito barata e cai bem em qualquer estômago. Menos o hamburguer da rodoviária, mas isso em qualquer lugar do mundo, não?

O mais difícil vem agora
E por falar em rodoviária, as passagens em Cochabamba não são vendidas com antecedência. Para comprar o ticket para La Paz é preciso chegar algumas horas antes e escolher uma entre as muitas opções de empresas de viação. Como são todas parecidas entre si, escolha pelo melhor preço. Nós embarcamos em uma flota El Dorado, a mesma que havia nos trazido até lá.

Prepare-se bem para a viagem para La Paz, principalmente se for viajar pela noite. Muito casaco, luvas, gorros e até uma ceroulinha por baixo são itens recomendados. Dependendo do mês (julho, principalmente), pode estar até nevando na capital boliviana.

A viagem dura seis horas de muita subida de serra, curvas absurdas e altíssimas, no melhor estilo montanha russa andina. Você enjoa fácil? Então coma pouco (resista com toda força à hamburguesa da rodoviária!), tome algum medicamento como Dramin e tente dormir.

Estes ônibus normalmente não tem banheiro e as janelas não podem ser abertas (por causa do sistema de calefação que normalmente é ligado no máximo, o que cria um clima de estufa/sauna). Leve um saquinho plástico -- pode ser útil.

Este é, sem dúvidas, o trecho mais complicado da viagem pela Bolívia por dois motivos: estradas sinuosas e mal sinalizadas e motorista ligadão mascando folhas de coca que ele tira de um saco enorme que fica do lado dele. Se passar inteiro por aqui, não há mais nada com o que se preocupar.

E fique feliz! Você chegou a La Paz!

Santa Cruz de La Sierra
País: Bolívia
Pop: 730.000 (2a. maior cidade do país)
Altitude: 473 m
Clima: ameno e estranho: fresco e úmido de dia, frio de madrugada; pode chover.
Caract: apesar de ser a 2a.maior cidade da Bolívia é pequena. Há muitos turistas, pois é ponto de chegada do Trem da Morte.

Cochabamba
País: Bolívia
Pop: 300.000 (3a. maior cidade do país)
Altitude: 2570 m
Clima: ameno. Fresco de dia com sol e vento, muito frio de madrugada;
Caract: clima calmo de cidade pequena, mas com forte apelo comercial e turístico. É agradável e receptiva.

onde dormir,
onde comer,
o que fazer,
como se mover,
como se comunicar

dicas importantes
e
coisas curiosas

fotos